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sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Cambridge - MA
Ca estou eu em um hotel dentro do MIT, em Cambridge - MA. Estamos nos preparando para participar de alguns eventos da comunidade, entre eles, a festa de 5 anos da revista especializada em televisao, FAME. Enquanto isso, me divirto com a cidade visinha de Boston, que por ser uma cidade universitaria, esta lotada de bares e restaurantes, coisas que nao existem em NJ e ate mesmo NY (nao concentrado assim).No hotel, tudo tem tema de fisica, matematica ou engenharia. A colcha da cama tem mil formulas de fisica, a luminaria do corredor com circuitos desenhados e as esculturas no lobby sao obras de artistas-engenheiros.
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Retrospectiva II
No início do ano, quando eu já estava trabalhando em uma galeria de arte indiana como contadora (!!!), eu recebi o convite para fazer desenvolver um projeto para a DIRECTV. O projeto é complicado e divido é três etapas: três meses, um mês, três meses. A primeira (os primeiros três meses), foram dedicados à uma pesquisa extensa sobre o mercado brasileiro nos EUA, com ênfase no mercado consumidor e na oferta de televisão aqui. Em junho, a DIRECTV lançou o sinal da Bandeirantes aqui pela primeira vez e com exclusividade. Dois canais foram lançados, Band News e Band Internacional. Então, a segunda e terceira etapa do projeto era gerenciar o lançamento destes dois canais, com foco em um trabalho extenso de fazer o brasileiro relembrar da Bandeirantes e introduzir a Band News (levando em consideração que mais da metado do público vive aqui há mais de cinco anos e não conhece a Band News). Claro que eu aceitei o convite, já que, isso era mais um presente que um convite. Isso era minha tese de mestrado entregue de bandeja. Já que, ao invés de passar dois anos no mestrado enfiando dinheiro no cú do Dean para fazer alguma pesquisa, eu passei sete meses trampando, sendo paga e fazendo a mesma pesquisa. Agora, é entrar no mestrado com a pesquisa pronta, cumprir as matérias obrigatórias e sair com o diploma debaixo do braço e promessas de um salário melhor. Tem que ser, pois em sete meses, trabalhei sozinha como uma cavala em um projeto gigantesco; muitas vezes sem descanso; muitas vezes até as 11 da noite, sem párar. Minha supervisora, não faz nem o que o cargo prevê: supervisionar. Não vou reclamar da mulher. Mas, ela tem problemas sérissímos de relacionamento. Nesta terça-feira passada, entreguei minha carta de resignação do projeto (uma formalidade, já que, a partir de 10-01, o projeto está finalizado mesmo), e já estou partindo para outras. Feliz da vida. Claro, agora eu tenho que montar um portifólio com tudo que foi feito neste tempo (believe me, é muito material), organizar a pesquisa, a execução do projeto, todos os relatórios, todos os clips, samples, tudo e, mandar ver. É uma das primeiras vezes na minha vida que eu me senti excited and challenged pelo meu trabalho. E sugada por ele. Eu vivi eletrizada com 300 coisas acontecendo ao mesmo tempo, e o pico foi organizar a participação da DIRECTV no Brazilian Day de Nova York, que é um dos maiores festivais de rua do planeta, com mais de 1,5 milhão de visitantes. É de se emocionar quando você vê que o grupo de capoeira que você contratou é tão bom, que a quantidade de pessoas que ficam ao redor paralizaram a 6th Avenida, e as mais de 15 meninas contratadas para trabalhar na promoção, mandaram ver enquanto este povo estava babando no grupo. A idéia era atraír público para a área onde a DIRECTV estava, competindo com show do Bruno e Marrrone. Enfim, cada um dos mini-projetos dentro do projeto principal me deram um prazer gigantesco em executá-los. Ok, eu não durmo mais sem remédio; ok, minhas costas estão regaçada; ok, eu to com o pulso fodido; e ok, não atendo telefone mais fora do meu horário de trabalho (meu celular virou artigo de decoração), mas o prazer de ver que você construiu algo é inigualável. Agora, aproveito a última semana no trampo, me despeço dos bons amigos que eu fiz, e inicio novas coisas. Além de, claro, tirar férias, que eu não sou de ferro. Uma vez eu li uma matéria sobre este novo tipo de comportamento que é deniminado BINGEWORK. É quando você trabalha por um período determinado do ano, sem fun nenhum, trampando mesmo, todos os dias, sem parar, com blackberry na mão durante a commute e tals. Depois, nos outros meses você desliga total, tira férias longas e festeja punk. Sabe, viaja por quatro meses, bebe, se mata... Work hard/party hard kinda thing. Este ano de 2007 foi o ano que eu descobri o BINGEWORK. Depois de tudo isso, eu tenho dois ou três projetos que eu quero começar e concluir até novembro, e aí, só volto a trabalhar em fevereiro/março do ano que vem. Neste período de três meses, eu vou dormir tudo que tenho vontade, ler tudo que tenho vontade, assistir tudo que quis asisstir e viajar pra caralho. Festejar, beber, comer. Enfim, dar sentido para a palavra bingework.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Retrospectiva
No início do ano, o jornal onde trabalhei desde 2005 fechou por falta de investidores. O Extra USA foi um dos únicos jornais brasileiros nos EUA que podem ser chamados de “jornal”. O único com redação com vários jornalistas, redator, editor; com produção massiva de notícia e contrato de distribuição até no Brasil; com projeto gráfico deslumbrante, que não aparentava ser um caderno de anúncios disfarçado de jornal como tantas outras publicações brasileiras nos EUA. Foi um choque para todo mundo e uma tristeza grande quando o jornal veio ao fim. Por dois anos, o Extra USA foi a minha casa. Trabalhar em algo que a gente acredita muda a vida de qualquer um. As amizades que fiz alí, carrego até hoje e, foi alí também que aprendi o sentido do que chamo de "vida sem vida". Trabalhar horas a fio, sete dias por semana, sem descanço, sem vida social, até a exaustão. Mas, sempre, com muito prazer. Sério, fazer o que se ama é uma coisa louca. Foi no Extra USA que eu tive a oportunidade de ver algumas das minhas matérias publicadas no Brasil, no Yahoo.com.br, no jornal Vale Paraíbano e no O Jornal do Norte. Foi lá que eu tive a oportunidade de entrevistar gente que eu amo e admiro o trabalho, como J.J. Abrams e Tim Robbins. Foi lá que eu desenvolvi um amor inexplicável por Newark – NJ, cobrindo o caderno de Cidades por mais de um ano. Entrevistei (exclusiva) o atual prefeito (aguarde, ele vai ser muito mais que isso nos próximos anos), Cory Booker. Também falei com o atual Chefe de Polícia, o português Anthony Campos (minha primeira entrevista no jornal em 2005), na época do desaparecimento da brasileira Carla Vicentini e entrevistei o Senador de New Jersey, Ronald Rice (na época, candidato à prefeitura de Newark). Quando acabou, é claro que me senti completamente desorientada. Eu sei que as chances de eu conseguir viver nos EUA, escrevendo em Português são mínimas. Eu sei que o Extra foi um dos únicos momentos em que pude voltar a exercitar o Português diariamente. Viver como freelancer não é a minha (eu escrevo, sim, mas eu amo meu dinheiro!), e qualquer uma das outras publicações brasileiras raramente podem ser levadas à sério – exceções existem, claro, o The National é um jornal legal.
Mas, só agora, no final de um novo ano eu pude enxergar que o cliché, “Tem coisas que vêm para o bem”, raras vezes, pode ser verdade. (Quem me conhece sabe que há muito meu lema é “Tem males que vêm para o mal”.)R.Gil* 2007 foi um ano que só pode ser categorizado como, DO CARALHO!
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